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Caminha, verdeja,
Represa limpa e estática
Perfura profundo
Que metros não possam alcançar
Distrai o rapaz a palmos da margem
E corre recurso
Retoma o caminho que é teu
Cristal sobre poeira
Alaga  força da pedra em sutileza






foto *arquivo pessoal

Tambor


Feito martelo
Prega e crava
Na barra da saia
Me chama atenção
Éter corrente
Ao som de bolhas
Esta lata d’água
Reina e inerva
Matéria nua e gostosa
Minério se encerra
Momento que pára
Início e Fim
É bala veloz
Que dispara
E desembrulha

Sua possibilidade 
Em sair de si
Meu exílio
É teu travesseiro.
Meus cabelos por você
Suas roupas em mim
Estão na gaveta
Se buscas
Taquicardia
Se deixas
Samba, enfim.
I

Despedaço pétalas de horas.
" Un poquito más "
Como viverei, senti.
Se estar dizendo,
Disco diperso.
"São memórias, Madalenas"
Dobro o papel e guardo.
Despeço.

Entre desvarios e ternuras,
Encosta sutilmente
O lábio sobre minha nuca fria.

Perco então,
Ao certo,
A sequência que deságua por trechos de poesia.

Trago por ti meu olhar para a lua.
És dessas, que cheia, me rouba
Olhos, ombros, braços e vestido.

Ainda guardo meus dedos em penúltimas linhas.
Em seguida escorre derradeiros versos.
- Como cheira esse rabisco, esse papel.

Por fim caímos em um instante
E todos os outros se rasgam.

Daniela L.





Sempre vem cuidado-sa.
  Olha de um jeito (...)
  Deixa-me um beijo.
Levas de mim um pedacinho.
  Eu deixo!

Mas queria mesmo que me levasse toda..
"um livro de poesia na gaveta não adianta nada
lugar de poesia é na calçada"

Sérgio Sampaio
Pequena Patologia Poética

Mucosa intumescida;
Edema;
Congestão generalizada;
Laceração;
Inflamação aguda;
Poesia extasiada.

Vírgula


 

Quando veio me contar, pulei no pescoço dele de felicidade.
Ontem foi a despedida.
Hoje ele voa para longe.
Doctorado en Madrid. -------> Deixa a chave por debaixo da porta!

O amor pode esperar.












*Foto - No sé

Não dá



Ela faz café. Como se adivinhasse. Testa todo meu lado forever. Eu faço pose de “durão”.
Não adianta, to retada! Talvez daqui a uns dias eu esqueça. Não gostei, pronto. Sou ciumenta.
Preciso de um tempinho dessa vez.
Até terminar o cigarro. Ah, que merda!

Ficar brigada com esse cheiro de café também não dá.
Acho que vou lá encher ela de beijinhos..

*Imagem - Artist Unknown

sem assunto

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De ímpeto estranho sentido 
Foram os olhares 
Agudos penetrantes sobre os
Seios,
canonizados pelo manto sagrado dessa seiva 
Pela beleza do seu corpo esguio entre córregos de prazer 
Depois de delírios por entre caminhos 
Enquanto minhas mãos afagavam o espinho 
(Roçavas o pé entre o ventre e a ponta do queixo) 
Ora sussurros ora espasmos 
Cravávamos infinitos sobressaltos 
Como se tivéssemos antes, marcado 
Um único possível instante, o estopim. 
E de partida prevista pro outro dia 
Deixa-me ainda de olhos fechados 
Procurando em meio ao alvoroço 
O soutien e a calça jeans.